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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

NOTÍCIA

Pela inclusão nas escolas pelotenses

Redes municipal, estadual e privada de ensino têm iniciativas para estimular habilidades, aprendizado, interação, pensamento lógico, raciocínio, coordenação visual e motora em alunos com deficiências.

O jogo é simples, mas interessante e capaz de envolver o aluno com déficit de atenção. São imagens iguais e ele precisa identificar o par. Joga com a professora na sala de recursos multifuncionais do colégio e, além da associação das figuras, a atividade estimula a coordenação visual do menino. A ação é apenas uma das várias desenvolvidas nas escolas para auxiliar estudantes com deficiências. Pelo levantamento do Centro de Apoio, Pesquisa e Tecnologias para a Aprendizagem (Capta), 1,2 mil estão matriculados na rede municipal. Na estadual são 300, pois não identifica alunos com dificuldade de aprendizagem, que não têm atendimento em sala de recursos.


Enquanto que na rede municipal o atendimento a alunos com deficiências é estruturado por meio de salas de recursos multifuncionais, professores auxiliares e cuidadores, na estadual ainda deixa a desejar. Apenas um quarto destas instituições em Pelotas tem salas de recursos e não contam com profissionais especializados para o atendimento extraclasse. São 55 instituições na cidade e apenas 13 com salas de recursos. Também são poucas pessoas com especialização na área.

“Na minha vontade, está muito aquém do que deve ser”, comenta o titular da 5ª Coordenadoria Regional de Educação, Antônio Carlos Brod, ao reconhecer a limitação do atendimento, se comparado à necessidade. Destaca que a prestação do serviço em sala de aula requer maior número de profissionais capacitados, com formação específica, que o Estado não tem ainda. Nem todas as escolas têm salas de recursos, por isso os alunos dessas são atendidos na mais próxima, que disponibiliza o espaço.

Apesar das limitações, o Instituto de Educação Assis Brasil (IEAB) tem um trabalho elogiável, com a formação de uma classe especial de surdos no turno da noite. São 17 alunos matriculados. Na Escola Estadual Félix da Cunha a sala de recursos multifuncionais foi implantada em outubro do ano passado, relata a professora responsável pelo espaço, Vanice Gomes da Silva. Ela atende 12 alunos no local destinado a trabalhar as deficiências dos estudantes, mas tem outros com acompanhamento apenas em sala de aula.


Manhã de uma sexta-feira e ela estimula a leitura de uma menina. A sala não tem o vasto material visto na Afonso Vizeu, mas nem por isso não são trabalhadas as deficiências dos estudantes da casa e de outras escolas das imediações. “A gente atende de acordo com a solicitação da 5ª CRE”, diz a professora, ao se referir aos estudantes de fora, que recebem atendimento na Félix da Cunha.

Rumo à ampliação 
O processo de inclusão no município é mais amplo. As salas de recursos existem na metade das escolas. São 42 no total e mais cinco programadas para funcionar em 2016. “A perspectiva é de que cada uma tenha sua sala de recursos”, assinala a coordenadora do Capta, Carmem Silvia Lenzi. Além do local de trabalho com o aluno no contraturno, nas escolas do município existem as figuras do professor auxiliar e do cuidador. O primeiro auxilia pedagogicamente em sala de aula e o segundo atende os que têm dependência para locomoção, alimentação e higiene.

A exemplo do que acontece nas estaduais, as municipais consideradas núcleos também atendem alunos com deficiências de instituições situadas no entorno, que não dispõem de salas de recursos. Nesses espaços é prestado atendimento educacional especializado, com o objetivo de trabalhar as habilidades que o aluno precisa, de forma a ajudar no seu desenvolvimento em sala de aula.

No caso do aluno do início desta matéria, a professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE), Dione Moreira Nunes, da Escola Municipal Afonso Vizeu, aplica o plano de trabalho anual, feito para cada um. Atividades lúdicas, jogos e informática são aplicados para trabalhar os déficits. “Eles gostam de vir para cá. A maioria vem no contraturno. Não se tira de sala de aula, pois os alunos estão envolvidos na turma e poderiam se constranger”, explica.

Material farto, o que inclui computadores, e cores não faltam no ambiente atrativo e ao mesmo tempo acolhedor. Na sala de recursos da Afonso Vizeu o menino prossegue, sorridente, com o jogo de memória. O bônus, no final, será o de sempre e o que eles mais esperam: jogar no computador. Dione conta que a escola recebeu muito material do Ministério da Educação e adquiriu outro tanto. “Sigo a proposta da professora da sala de aula e tento adaptar”, reforça.

Em pranchas são colocados os meses do ano, cada um remetendo a um evento ou data especial que marque, como por exemplo maio, que tem o Dia das Mães. Tem espelho também para que os alunos com restrições motoras trabalhem a fala e os movimentos. Não é uma ação de fonoaudióloga, apenas para estimular a fala. Tem ainda teatro de fantoches, que eles adoram, comenta a professora. Dione arrisca a dizer que 90% dos alunos com deficiência na Afonso Vizeu avançaram e interagem com a turma.

Os autistas não têm atendimento diferenciado, porque podem usufruir do Centro de Atendimento ao Autista Doutor Danilo Rolim de Moura. Os cegos têm aprendizado em braile na sala de recursos e de como ter independência em sala de aula. Recebem também apostilas especiais, segundo o Capta. O convívio em sala de aula com os colegas é muito tranquilo. Mas, segundo a supervisora Ingrid da Rosa, a maior deficiência da rede é a intelectual, ou seja, de leitura e escrita.

Oficinas de jogos educativos
Os jogos aplicados no Ensino Fundamental envolvem letras e numerais em sua maioria, para que a criança faça a associação da letra inicial da imagem com vogais. Cada jogo é produzido com um objetivo e trabalham ainda o desenvolvimento do pensamento lógico, estimulam o raciocínio, a coordenação visual e motora, reconhecimento de cores, formas geométricas, masculino e feminino, entre outros.

Há um ano o Capta incentiva a produção de jogos e materiais adaptados aos professores da rede municipal, com ajuda de estudantes de Pedagogia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Toda a sexta-feira, às 15h, na sede do Centro, são produzidos jogos a serem utilizados nas escolas que têm alunos com deficiências. “Mas a equipe também vai onde é solicitada”, explica a supervisora de deficiência visual do Capta, Ângela Soares.

As instituições, contudo, podem somente requisitar o material, sempre disponível no Capta. A Escola Monteiro Lobato, no Simões Lopes, optou pela oficina de produção e durante uma manhã os jogos educativos centralizam o debate e o aprendizado entre os professores.


Como funciona na rede privada
O atendimento a alunos com deficiências na rede privada é feito dentro das possibilidades de cada instituição de ensino. A equipe multidisciplinar da escola, juntamente com o apoio da família, elabora plano de trabalho a fim de atender as especificidades de cada aluno. São utilizadas metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados, através de um currículo flexível, que respeite os tempos e os ritmos de aprendizagem do estudante. O mesmo ocorre com a avaliação, adequada ao desenvolvimento dos alunos com deficiências. Todo este trabalho é realizado com base no projeto pedagógico da instituição, informa o Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe).

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

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