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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

EQUOTERAPIA

Equo e pet terapia têm espaço no auxílio de tratamentos em Pelotas
Métodos são consideradas extensões das formas terapêuticas convencionais

Momento de alegria e descontração durante uma aula acompanhada pelo Diário Popular, em que os pacientes se tornam praticantes da cavalgada (Foto: Paulo Rossi - DP)


Cães treinados são usados no Hospital Espírita para contato com o público em atendimento (Foto: Elison Bitencourt - Especial DP)

De um consultório fechado para campos abertos, onde a natureza propicia diferentes aromas, sons e oscilações da luz do dia. Uma extensão das formas terapêuticas convencionais, pode-se dizer. É assim com a equoterapia e com a pet terapia. Nos animais elas têm o principal instrumento de trabalho. São recursos capazes de trazer uma série de benefícios e oferecidos para entidades de Pelotas com necessidade de explorar esta diversidade em tratamentos.

É o caso do Centro de Equoterapia da Apae, localizado na Associação Rural de Pelotas (ARP). Nele, atualmente são dez cavalos as principais ferramentas dos profissionais das áreas da saúde, educação e equitação com as crianças excepcionais. Nesta terapia, elas não são pacientes. Tornam-se praticantes. Como a pequena Natiele, de seis anos, que tem paralisia cerebral. Ela vem acompanhada pela irmã, Juliana Barros, 18. "Eu gosto de vir com ela, pode ver como ela fica feliz." Enquanto dizia isso, Natiele passava, acompanhada de uma instrutora, montada a cavalo com um sorriso de ponta a ponta.

Suas melhoras vieram principalmente no equilíbrio. Antes, mal conseguia ficar sentada. A equoterapia pode ter este poder, mas vai além. "O benefício não é só na área motora, mas também na área comportamental", explica a psicóloga do Centro, Tânia Bellomo. De acordo com o fisioterapeuta e coordenador do projeto, Ciro Sena, o ambiente da prática e o simples fato de andar a cavalo e já têm o poder de começar a fazer a diferença.
Segundo ele, o movimento do cavalo difere apenas 5% do passo do ser humano. Isso, para quem não caminha ou tem dificuldades, já é um grande estímulo. Do ponto de vista fisioterapêutico, auxilia no equilíbrio, na motricidade e na postura. Na educação e na saúde mental, ajuda na autonomia, na iniciativa e na ressocialização. E vai além. Os profissionais lembram de alguns casos de praticantes que, ao começar a andar a cavalo, solucionaram até mesmo problemas intestinais provavelmente ocasionados por não caminharem.

Exigências sobre os cavalos e o tratamento
Sena explica que, para fazer este tipo de trabalho, os equinos têm de ser extremamente dóceis. No tratamento são propostos exercícios e jogos com bolas e arcos e o cavalo precisa ter uma aceitação com o processo e não se assustar com ele. Não há raça obrigatória, mas a crioula demonstra mais facilidade. Todos os cavalos vêm de doação, mas têm de ter procedência e passam por três meses de treinamento com o Centro.

Cavalos de mais idade demonstram mais tranquilidade e por isso são mais utilizados. Mas já há um projeto com três cavalos mais novos domados pelo Centro da Apae. A ideia é que eles tragam um benefício maior por ter uma andadura diferenciada pela idade. Segundo o coordenador, são três andaduras: transpistar, antepistar e sobrepistar. Cada uma delas é escolhida de acordo com a necessidade de cada pessoa.

Programas da equoterapia
A equoterapia consiste em quatro programas. O primeiro, a hipoterapia, é sempre acompanhado de um auxiliar guia e um terapeuta. No segundo, chamado educação e reeducação, há maior ênfase do instrutor junto a um educador. O terceiro programa é o pré-esportivo, mais avançado. Nele, o praticante já tem o domínio das rédeas e consegue dominar o processo sem um instrutor de equitação, desde a encilha até o andar.

Mesmo que seja mais complexa, algumas crianças conseguem alcançá-lo. Às quartas-feiras, quem também participa deste programa são cinco integrantes da Associação Pelotense de Parkinsonianos. É um projeto que faz parte do mestrado de Sena. Com eles, é trabalhado o equilíbrio, a rigidez do tronco e a capacidade de respiração. Há ainda quarto programa, o esportivo. O foco deste é ainda mais avançado, voltado para participações em Paralimpíadas. Não é abordado no Centro da Apae.

Ajuda dos melhores amigos do homem
Se os equinos têm importante papel terapêutico, os cães não ficam atrás. A pet terapia também está presente na cidade através de um projeto do curso de Veterinária da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) que interage com outros cursos como a Psicologia. Com dez cães treinados, o projeto atende entidades locais, entre elas o Cerenepe, o Centro de Atendimento ao Autismo e o Hospital Espírita de Pelotas (HEP), onde a reportagem do Diário Popular acompanhou uma atividade.

As cadelas Bombom, Mila e Pipoca, todas sem raça definida, são treinadas para os exercícios específicos com os pacientes. Segundo a psicóloga do HEP, Larissa Fontana, até mesmo a higiene é abordada quando eles escovam o pelo e os dentes dos cães. Eles também passeiam com os animais de coleira pelo pátio do Hospital e, nessa interação, trabalham o lado afetivo. As cadelas conhecem o trabalho, mas nunca deixam de brincar e dar carinho aos pacientes. "Tem uma parte que é treinamento, mas tem outra que é dom mesmo", opina a veterinária e coordenadora do projeto, Márcia Nobre.

Esta afetividade foge de uma rotina comum de hospital e, conforme Larissa, auxilia no tratamento. O contato com os animais muitas vezes dá a sensação de estar mais próximo de casa, já que a maioria têm cães de estimação. Há toda uma sensação de liberdade. Durante o tratamento, há o contato com a família, mas são internos da instituição. Os pacientes ouvidos disseram sentir-se bem ao lado dos animais e que a atividade "traz lembranças dos tempos bons".

O projeto de pet terapia paralisa durante as férias universitárias e retorna no próximo ano.

Equoterapia em Pelotas
- 10 cavalos
- Desde 1996
- 90 atendimentos por semana
- Atendimentos de 30 minutos
- Cada cavalo passa por três meses de treinamento
- Antes de ingressar na equoterapia, a criança passa por um atendimento para verificar se esta é a terapia mais adequada

Pet terapia em Pelotas
- 10 cães
- Desde 2006
- Cães sem raça definida
- Mínimo de um ano de treinamento
- Participam alunos e professores de cursos como Veterinária e Psicologia

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